Com objetivo de apresentar diretrizes sobre o uso de corticoides na infância, com ênfase em seus efeitos adversos oculares e nas principais recomendações para sua prevenção e manejo, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) emite a nota técnica abaixo.
CONTEXTO
Os corticoides, hormônios esteroides produzidos naturalmente pelo córtex adrenal e seus análogos sintéticos, são amplamente utilizados na prática clínica devido aos seus potentes efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores. Estão indicados no tratamento de diversas condições inflamatórias, autoimunes, alérgicas e neoplásicas. Os glicocorticoides, o subtipo dos corticoides mais usado na prática clínica, atuam por mecanismos rápidos (não genômicos) e por modulação da expressão gênica (genômicos), resultando na inibição de vias pró-inflamatórias e na indução de mediadores anti-inflamatórios. Além disso, reduzem a ativação de neutrófilos, macrófagos e linfócitos T-helper, bem como a produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-1, IL-2, IL-6 e TNF-α. Embora esses efeitos sejam fundamentais para o controle de processos inflamatórios, o uso de corticoides não é isento de riscos, especialmente na população pediátrica. Na prática oftalmológica, destacam-se como principais efeitos adversos a hipertensão ocular, o glaucoma induzido por corticoide e a formação de catarata. Essas complicações podem ocorrer tanto com o uso tópico quanto sistêmico e, quando não reconhecidas e tratadas precocemente, podem levar à perda visual permanente.
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