A gota, uma inflamação nas articulações, é causada por acúmulo de cristais de ácido úrico nas juntas é uma doença que afeta ao menos 2% da população adulta. Nas crises, Inchaço com fortes dores no dedo grande do pé podem indicar os primeiros sintomas da doença. Os níveis séricos desejáveis de ácido úrico devem ser inferiores a 6mg/dL, de acordo com a nova diretriz vigente. a hiperuricemia está diretamente relacionada a condições e hábitos de vidaa dor se deve ao fato de que a substância se cristaliza como agulhas que atormentam o dedão do pé, o tornozelo ou o cotovelo. As crises agudas evoluem rapidamente com dor intensa e grande hipersensibilidade ao toque. Inchaço com fortes dores no dedo grande do pé podem indicar primeiros sintomas da doença.
A gota, uma inflamação nas articulações causada por acúmulo de cristais de ácido úrico nas juntas é uma doença que afeta ao menos 2% da população adulta. Na literatura taxas de prevalência da gota oscilam na faixa de 1% a 5%, com maior prevalência em homens acima dos 50 anos. Uma nova diretriz recém-publicada (2024) pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), aponta um novo limite, ainda mais preciso, para os níveis máximos de ácido úrico no sangue, considerados normais, a fim evitar que o paciente chegue ao ponto de desenvolver a deformação das juntas.
A nova diretriz passa a indicar a marca de 6 mg/dL como o nível a não ser ultrapassado por pessoas com histórico de gota, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Dr. José Eduardo Martinez.
A hiperuricemia é um processo que envolve o metabolismo das purinas, moléculas existentes no DNA e no RNA, e que fazem parte de alimentos, sobretudo carnes vermelhas, miúdos, frutos do mar e refrescos açucarados, além de estarem presentes em bebidas alcoólicas (fermentadas ou destiladas) e em alguns medicamentos, como diuréticos. Em pessoas saudáveis, com uma rotina equilibrada e sem propensão ao quadro, o organismo trata de eliminar o excesso. Nos pacientes com gota, porém, o ácido úrico fica retido e começa a se depositar em tecidos como os rins, a pele e as articulações, onde causa a pane inflamatória e dolorosa.
Nas crises, a dor se deve ao fato de que a substância se cristaliza como agulhas que atormentam o dedão do pé, o tornozelo ou o cotovelo. As crises agudas evoluem rapidamente com dor intensa e grande hipersensibilidade ao toque. Inchaço com fortes dores no dedo grande do pé podem indicar primeiros sintomas da doença.
Após décadas de estudos, hoje o controle do problema é feito com medidas e remédios para reduzir a produção do ácido úrico ou incentivar seu expurgo. Contudo, ele continua sendo uma dificuldade. “Essa estratégia é teoricamente perfeita. Mas no dia a dia o resultado é péssimo”, afirma o reumatologista Geraldo Castelar, membro da Comissão Científica de Artropatias Microcristalinas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e um dos autores do documento.
Para piorar, a maioria dos pacientes é do sexo masculino, população conhecida por ir menos aos consultórios e não aderir com afinco a tratamentos e mudanças no estilo de vida. Apenas a crise aguda é tratada, e não a causa da gota.
O ideal é que haja controle antes que os ataques prejudiquem as juntas. A meta será descrita no laudo dos exames de sangue nos laboratórios. Apesar de seus efeitos serem retratados há milênios, a hiperuricemia está diretamente relacionada a condições e hábitos típicos da vida moderna, como obesidade, sedentarismo, dieta inadequada, colesterol alto. O metabolismo da população piorou muito e o valor do ácido úrico reflete isso”, diz Castelar.
O reumatologista Henrique Pereira Sampaio, coordenador da Comissão Científica de Artropatias Microcristalinas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), chama atenção sobre a periodicidade de solicitar o ácido úrico, em pacientes com gota, em que o exame pode ser feito a cada 4 a 6 meses, mas depende muito de cada caso.
No início do tratamento, precisa chegar no alvo de ácido úrico, aí pede-se, às vezes, a cada 4 ou 8 semanas, depois espaça para 4 meses, 6 meses, quando fica estável, explica o especialista. A população em geral, que não tem risco para gota, que não tem manifestação clínica, não tem uma indicação, um protocolo de que se deva solicitar o ácido úrico, não há necessidade de fazer esse exame rotineiramente.
“Quando há necessidade de solicitar o ácido úrico?
Quando o paciente tem algum dos fatores de risco, principalmente cardiovasculares, então hipertensão, problemas cardíacos, é coronaropata, ou paciente diabético, com síndrome metabólica, paciente com colesterol alto, assim como um conjunto de fatores de risco cardiovasculares mais importantes, além da doença renal crônica. Nesses pacientes vale a pena porque sabe-se que o ácido úrico alto nesses pacientes tem correlação com o pior prognóstico, pior evolução. Mas na população em geral, não haveria necessidade de estar pedindo na rotina como exame geral.
O controle adequado da hiperuricemia é a melhor forma de prevenção das dolorosas e incapacitantes crises agudas de gota. Para que se possa prevenir a precipitação e induzir a reabsorção dos cristais de urato monossódico de sódio já depositados, é recomendado que o nível sérico de urato permaneça abaixo de 6 mg/dL.
As crises de gota, que chegam a durar dez dias, podem também abalar a saúde renal e cardiovascular. Ter noção do índice a ser mantido pode mudar a rotina de profissionais, pacientes e familiares, que terão ao alcance das mãos um marcador de quando será necessário intervir e iniciar as medicações antes de penar com os sintomas.
Tratamentos
Durante a crise aguda de gota, o paciente deve ser orientado a identificar os primeiros sinais e sintomas e imediatamente, iniciar seu tratamento, preferencialmente nas primeiras 24 horas, sempre com orientação do reumatologista. Repouso relativo, evitando toda e qualquer sobrecarga que aumente a dor na região acometida e compressas com gelo local são medidas que auxiliam.
Para ao tratamento farmacológico utilizam-se os anti-inflamatórios não hormonais, colchicina ou corticosteroides (intramuscular ou intra-articular). Os anti-inflamatórios não hormonais não podem ser utilizados em pacientes com comprometimento renal, e mesmo pacientes que não tenham este comprometimento devem ser acompanhados periodicamente para não desenvolverem insuficiência renal.
O controle adequado da hiperuricemia (aumento de ácido úrico no sangue) é a melhor forma de prevenção de novas crise agudas. Dieta hipocalórica, com baixo teor de purinas (proteínas) e uma redução no consumo de álcool, refrigerantes e bebidas energéticas com alto teor de frutose.
O tratamento sempre é individualizado, controlando as comorbidades que cada paciente pode apresentar como hipertensão arterial, diabetes, insuficiência renal, obesidade, distúrbios metabólicos e cardiovasculares.
Sobre a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)
A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) é uma associação civil científica de direito privado, sem fins lucrativos, fundada em 15 de julho de 1949, na cidade do Rio de Janeiro, pelos médicos Herrera Ramos, Waldemar Bianchi, Pedro Nava, Israel Bonomo, Décio Olinto e outros, tendo mantido desde então sua tradição científica, acompanhando e promovendo o desenvolvimento da especialidade no Brasil e com um importante papel também internacional, especialmente entre os países da América Latina. Filiada à Associação Médica Brasileira, conta em torno de 2 mil associados, congrega 26 sociedades regionais estaduais, assessorias e comissões científicas e representações em associações nacionais e internacionais e junto ao Ministério da Saúde.
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