Estudo mostra resultados de produtos lácteos para os ossos

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Reportagem publicada no jornal Zero Hora enfoca o consumo de produtos lácteos. Trata-se de um estudo feito pelo Institute for Aging Research (Ifar), publicado na revista Archives of Osteoporosis que sugere que nem todos os produtos lácteos são igualmente benéficos para promover a saúde dos ossos. O texto menciona o leite, o iogurte, o queijo e o creme de leite.

Os pesquisadores basearam suas conclusões em dados coletados a partir de um questionário de frequência alimentar preenchido por 3.212 participantes do Framingham Offspring Study. Eles compararam a ingestão de laticínios dos participantes com sua densidade mineral óssea, o que revelou os benefícios do leite e do iogurte e os malefícios do creme de leite para grande parte dos homens e mulheres de meia idade que participaram do estudo. Comentando o assunto, o reumatologista Charlles Heldan de Moura Castro, membro da Comissão de  Doenças Osteometabólicas e Osteoporose da SBR,  explica que o cálcio, presente nos produtos lácteos, é um componente fundamental dos ossos.

“O leite e seus derivados são a principal fonte de cálcio na nossa dieta”, acrescenta, ressaltando que, após a menopausa, a mulher necessita de cerca de 1200 mg de cálcio por dia. Cada copo de leite ou cada porção de derivado (queijo, iogurte, etc) contém cerca de 250 a 300 mg de cálcio. Dessa forma, diz Castro, uma dieta rica em cálcio deve conter cerca de três porções de leite por dia. Falando, aliás, especificamente sobre o leito, o reumatologista diz que é uma das principais fontes de cálcio na dieta.

O leite desnatado tem mais cálcio que o leite integral e deve ser preferido para manter uma boa ingestão de cálcio. “Habitualmente, o paciente com osteoporose tem também colesterol elevado e deve favorecer o uso de alimentos magros (leite desnatado com pouca gordura). Vários estudos comprovam o efeito benéfico do leite para a saúde do osso”, salienta Castro. Outra importante fonte de cálcio é o queijo, diz ele, ressaltando que, assim como o leite desnatado, devemos dar prioridade aos queijos com pouco teor de gorduras.

“Os queijos brancos são mais adequados que os amarelos, pois têm o mesmo teor de cálcio com quantidade reduzida de gorduras”, diz Castro, ressaltando que o excesso de gorduras na dieta tem efeito negativo sobre a saúde do osso.  Quanto ao iogurte, outro produto citado na reportagem, o reumatologista destaca o benefício em especial das versões desnatadas ou light. “Podem ser usadas com facilidade para garantir uma dieta rica em cálcio capaz de manter ossos saudáveis.” Já o creme de leite, segundo os autores do artigo publicado, revelou ser maléfico à estrutura óssea.

Castro explica, em relação ao produto, que, embora apresente alto conteúdo de cálcio, tem valores muito elevados de gorduras, o que é maléfico não apenas para o coração e as artérias (aumentando o risco de infarto e derrame cerebral), mas também para os ossos, podendo aumentar o risco de osteoporose e fraturas. Por fim, Castro diz que estão aparecendo nos mercados brasileiros produtos enriquecidos com cálcio (leite, iogurte, sucos). “Esses produtos podem ter até o dobro de cálcio que os seus pares não fortificados e podem tornar-se alternativas convenientes para manter uma dieta adequada em cálcio e ossos saudáveis”, explica.

A tão comentada ligação entre a ingestão de produtos lácteos e a saúde dos ossos foi discutida por um estudo desenvolvido por do Institute for Aging Research (IFAR), um afiliado da Harvard Medical School (HMS). Publicado na revista Archives of Osteoporosis, a pesquisa sugere que nem todos os produtos lácteos são igualmente benéficos para promover a saúde dos ossos. A pesquisa descobriu que o consumo de laticínio — principalmente leite e iogurte — está associada a uma maior densidade mineral óssea do quadril, mas não da coluna vertebral. Já o creme de leite, por outro lado, pode estar associado com uma menor densidade mineral óssea total.

De acordo com os pesquisadores, os laticínios fornecem diversos nutrientes importantes que são benéficos para a saúde óssea. No entanto, o creme de leite e seus derivados, tais como sorvetes, apresentam baixos níveis desses nutrientes e têm altos níveis de gordura e açúcar — informa o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti. Os resultados da pesquisa apontaram que entre 2,5 e 3 porções de leite são associadas a uma melhor densidade óssea. Mais pesquisas são necessárias para examinar o papel da ingestão do queijo (alguns dos quais podem ser ricos em gordura e de sódio) e se os alimentos lácteos individualmente têm um impacto significativo na redução de fraturas.

Os pesquisadores basearam suas conclusões em dados coletados a partir de um questionário de frequência alimentar preenchido por 3.212 participantes do Framingham Offspring Study. Eles compararam a ingestão de laticínios dos participantes com sua densidade mineral óssea, o que revelou os benefícios do leite e do iogurte e os malefícios do creme de leite para grande parte dos homens e mulheres de meia idade que participaram do estudo.

Segundo o estudo, a composição dos nutrientes varia entre os alimentos lácteos. Ingerir leite desnatado ou iogurte (e não ingerir creme de leite) pode aumentar a ingestão de proteínas, cálcio e vitamina D, limitando a ingestão de gorduras saturadas — diz o médico. Estudos anteriores sugerem que os produtos lácteos contêm mais do que um nutriente benéfico, e por esta razão, alguns produtos lácteos podem contribuir mais para a manutenção dos ossos saudáveis. Pesquisas como esta apoiam a ideia de que a nutrição adequada pode ajudar a combater a osteoporose e as fraturas — afirma o reumatologista.

Jornalista responsável: Maria Teresa Fontes Marques

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